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Autoestima em baixa nas vitrines 04/09/2012

Posted by Maria Elisa Porchat in A Língua Portuguesa Adequada, Atualidades, Diversos.
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Quase choro de desgosto quando vejo uma loja brasileira anunciar liquidação assim: “Save up to 40% off. Winter special sale”. Gente! Onde nós estamos mesmo?

Assim uma bela loja de cama, mesa e banho atrai o público, nos jornais e nas vitrines, em letras imensas. Não se trata de um caso isolado É só passear pelos shoppings da cidade e constatar que para fazer bonito o lojista prefere usar o inglês nas suas propagandas. No recém-inaugurado Shopping JK, um estabelecimento prestes a abrir suas portas escreveu numa parede provisória: “Opening soon”.

Quando é que o comércio chique no Brasil vai usar a língua portuguesa no lugar do inglês sem medo de rebaixar o status dos seus produtos? É claro que o problema não está na nossa bela  língua. Nem o português fica ameaçado com essa mania boba de se apelar para a língua inglesa para dar um ar de primeiro mundo ao comércio, ou talvez para fazer o consumidor fantasiar que está em Orlando ou em Nova Iorque. O que me dá desgosto é que se trata de mais um sintoma de pouca autoestima do brasileiro.

Adiantaria começar uma campanha para acabar com essa macaquice de língua estrangeira? Não. A mudança de atitude não seria espontânea e acabaria sendo um item a mais na lista das atitudes politicamente incorretas, lista tão ridicularizada por ser desprovida de bom-senso. Pior: poderia acabar num projeto de lei radical no sentido de multar ou incriminar o comerciante que anunciasse a liquidação em inglês.

Campanha nesse sentido também estaria fadada ao fracasso porque os próprios publicitários simpatizam bastante com o uso de palavras estrangeiras desnecessárias na comunicação de propaganda.

O problema é mais profundo. Talvez psicólogos, sociólogos e antropólogos consigam explicar de onde vem o complexo de inferioridade manifestado pelo brasileiro de várias formas, inclusive no comércio de luxo.

Triste é saber que a mudança na linguagem das vitrines é demorada e incerta. Vai depender do progresso do Brasil em vários setores, sendo o da educação o principal deles. Quero crer que quando começarem a surgir índices positivos desse desenvolvimento, não só na economia, mas na saúde, nas instituições de ensino e na diminuição da criminalidade, o Brasil vai fazer bonito não só lá fora, como aqui, no conceito do cidadão brasileiro. Quando isso acontecer, certamente o comerciante de uma loja de luxo não precisará macaquear o lojista americano e anunciará sem acanhamento: “Breve inauguração” ou “Descontos de até 40 por cento”.

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