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Flip 2013 08/07/2013

Posted by Maria Elisa Porchat in A Língua Portuguesa Adequada, Atualidades, Literatura.
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FLIP 2010Flip 2013

Tento resumir o que ouvi  e vi ao  chegar  da Flip de Paraty. A cabeça volta um liquidificador ligado, depois de tanta informação e reflexão dos palestrantes. Procuro pôr no papel o que me marcou, o nome dos convidados interessantes, suas boas tiradas, para impedir que fujam imediatamente da minha memória.

Paraty esteve mais efervescente este ano com os protestos e passeatas que acontecem já há um mês. A organização do evento houve por bem acrescentar ao conjunto de mesas sobre poesia, romance e tudo o que se relaciona com literatura, alguns debates políticos, o que tornou a festa ainda mais pulsante. A escolha do homenageado, Graciliano Ramos, apesar de ter sido feita meses atrás, não poderia vir mais a calhar no contexto deste julho de 2013. Graciliano renovou a linguagem, foi altamente engajado na política brasileira da época, era um idealista e extremamente ético.

Começo pela poesia. Conheci a nova poesia, através de três jovens garotas poetas lindas tanto  no aspecto como nos versos cheios de profundidade : Alice Sant’Anna, Ana Martins Marques e Bruna Beber. Falaram dos seus encantos e desencantos com as palavras no momento da escrita. A utilidade da poesia ? É como uma varanda, onde se descansa e respira. Na poesia, um objeto sem graça como uma maçaneta ganha interesse e nos faz sonhar.

A poesia de rebeldia dos poetas Nicolas Behr e Zuca Sardan fez a plateia gargalhar  com  a  irreverência e verve crítica . Defenderam os versos  que vão contra as velhas ideologias e as regras rígidas. Nicolas, que mora em Brasília também quis protestar  e tirou  da mochila cartazes assim :

“A poesia pede passagem grátis”,“O Brasil acordou e a poesia concordou”, “ O poema lido jamais será vencido.

Para eles, o bom poema é aquele que machuca , que incomoda como as pedras do chão de Paraty.

O ponto alto da poesia declamada em Paraty saiu de uma dupla maravilhosa :  Cleonice Berardinelli, membro da Academia Brasileira de Letras tida como a maior conhecedora brasileira da obra de Pessoa e  Maria Bethânia.Pelos microfones, a cidade toda pôde se emocionar com os versos de Pessoa, com o entusiasmo  e atuação da professora Cleo  e com a atitude generosa, de  respeito e admiração  de  Bethânia  para com sua parceira de 97 anos.

Passando para a prosa, quais os limites dela? Segundo a escritora americana Lydia Davis e para o premiado irlandês John Banville não há. Cada um à sua maneira se distancia do realismo psicológico e fala sobre suas invenções, como a de habitar a mente de uma mosca.

Um novo modelo de romance histórico foi defendido pelo bósnio Aleksabder Hemon e pelo francês Laurent Binet.Como fazer para que milhões de judeus ou de soldados mortos  não sejam esquecidos ? Só através da imaginação oferecida pela literatura. É preciso a acrescentar algo à realidade e a chave do sucesso de um romance é a imaginação associada à investigação histórica.

A iraniana Lila Azam Zanganeh foi eleita nas conversas a musa da Flip 2013. Poliglota, conversou num português cheio de sotaque e charme com o poeta carioca Francisco Bosco sobre textos de prazer e de gozo.   Os de gozo somam ao prazer, a dor e a destruição da linguagem. São romances de transgressão, como Lolita de Nabokov, que representa o êxtase, a felicidade e o encantamento, principal objeto de estudo da iraniana que aos 26 anos começou a dar aula de literatura em Harvard.

Saindo da ficção, tive  orgulho de ver na Casa Folha minha sobrinha Silvia Bittencourt, jornalista radicada na Alemanha, apresentar e autografar seu livro A Cozinha Venenosa – um jornal contra Hitler. Durante três anos, Silvia superou desafios na pesquisa da história do Munchener Post, jornal que mesmo antes de Hitler tomar o poder já lhe fazia oposição vigorosa, tornando-se o maior inimigo nazista na imprensa, até ser fechado.

O escritor Rui Castro falou da sua experiência como biógrafo na Casa da Cultura. São 24 horas diárias de envolvimento com dos detalhes da vida do biografado. Ele chegou a procurar até a exaustão a marca da escarradeira que ficava na redação onde trabalhou Nelson Rodrigues.Para Rui Castro, o bom biógrafo é aquele que tem uma vida intensa e interessante.Só assim, consegue conversar com a vida do biografado.

A função da arquitetura foi debatida pelo crítico de arquitetura americano Paul Goldberger e pelo  premiado arquiteto português Eduardo Coutinho. Os processos e as intenções  de uma obra não são tão importantes quanto o resultado final.Tiradas : “Muitas casas que entraram para a história da arquitetura nunca foram habitadas.” “Ninguém almoça embaixo de um manifesto”.Niemeyer  ? O melhor e o pior na história da arquitetura brasileira. Fez com que o símbolo nacional fosse  a arquitetura do século XX, Brasília, mas pôs sombra em muitos talentos e não avançou.Passou a fazer cópias de si mesmo.

A política  foi o ponto forte da Flip 2013.Passeatas na rua, plateia agitada,  debates sobre as passeatas.Gilberto Gil  conversou com Marina de Mello e Souza sobre a defesa do patrimônio histórico  e cultural de Paraty.Falou da necessidade de se achar um equilíbrio entre os interesses locais e os globais e que cabe às autoridades encontrar esse equilíbrio. Mas “o Estado deixou de representar o interesse público e passou a representar o interesse privado”.

A jornalista Eliane Cantanhede, Na Casa Folha, fez a defesa do lado bom e romântico de Brasília, que a imprensa geralmente ignora. Só a roubalheira vira notícia. Comentou a importância dos protestos, com a ressalva de que se o Brasil está nas ruas é porque  melhorou.

Três mesas sobre as passeatas foram inseridas a toque de caixa na programação desse ano.A primeira – Narrar a rua – tratou da nova mídia das redes sociais responsável pela mobilização  maciça nas ruas. Dela participou o produtor cultural Pablo Capilé, responsável pela criação do N.I.N.J.A ( Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação ) que com um laptop e outros aparelhos conectados ao  iphone conseguiu cobrir as manifestações, de dentro das passeatas, com grande repercussão entre os jovens. A transmissão não faz filtro, não faz edição, o que levou a mesa ao questionamento do papel da imprensa tradicional durantes as passeatas. Junto com o diretor Marcus Faustini,  Capilé criticou governos e a Polícia, provocando longos aplausos. O  N.I.N.J.A é ligado a grupos militantes, a maioria do movimento Fora do Eixo, que promove músicos, bandas e debates.

A segunda mesa política – Da Arquibancada às ruas – lembrou a ideia fixa que o poder tem por grandes monumentos e estádios. O movimento Passe-livre , que é pequeno, mas antigo e persistente, percebeu que a máquina falsificada da democracia falhava e quando conseguiu amansar a Polícia, fez o movimento crescer.A mesa reuniu o filósofo Vladimir Safatle e o psicanalista Tales Ab’Saber que conectaram os eventos recentes a um momento internacional de questionamento da política e da democracia. Mais uma vez foi lembrada a falta de representatividade popular e que a violência da Polícia mostra o seu despreparo para a democracia.

Inflamada foi a  plateia no terceiro debate sobre polícia que juntou o economista André Lara Resende e o filósofo Marcos Nobre Eles  concordaram com a falta de representação política, mas discordaram sobre os motivos dos protestos.Para Lara Resende – a origem esteve no fato de o Estado sugar a renda nacional e não devolver em serviços de qualidade. Para Nobre, pelo peemedebismo, blindagem do sistema político contra as formas de transformação da sociedade. Acabou sobrando vaia para o mediador William Waack, representante da Rede Globo que não se furtou a defender sua posição: “movimentos sociais sem clara definição provocam menos mudança do que as esperanças despertam”.

De tudo o que ouvi sobre política, se existe consenso é na falta de representatividade do povo, que hoje quer bem-estar e respeito pela cidadania. Aprofundando a democracia, chegaremos a um novo modelo de sociedade.

Fecho o resumo com o homenageado Graciliano Ramos, cuja vida e obra era lembrada  antes de cada palestra, o que me fez matar um pouco a saudade dos meus tempos de Letras na USP. Já tinha quase me esquecido do que constatei na época ao ler São Bernardo e Angústia, da sua ironia e da busca obsessiva pela concisão, pelo silêncio e pela do excesso. Foi clássico no sentido do rigor de linguagem e moderno, por ser provocativo e pouco harmonioso. Embora ateu, dizia que a Bíblia era o melhor livro que já tinha lido.

A infância de Graciliano foi marcada pelas agruras do sertão e desde cedo se libertou da repressão através dos livros que lia. Adulto, marcou seu trabalho na Prefeitura de Palmeira dos Indios pelo senso ético, pela coerência de princípios e pela honestidade. A Flip enfatizou que o legado de Graciliano foi o despertar do espírito crítico e que é preciso uma dose diária de Graciliano na comunicação de hoje.

Pincelei um pouco do que vi e ouvi nesses  4 dias de Flip. Lá, foi muita coisa, sempre corria de um lado para outro, com a sensação de que estava perdendo algo em alguma parte da Festa. Acho que faltou mais  caipirinha na praia. Fica para o ano que vem.

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A palavra chacina 07/05/2013

Posted by Maria Elisa Porchat in A Língua Portuguesa Adequada, Atualidades, Radiojornalismo.
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porccoUm dia, na redação da Rádio Bandeirantes, surgiu a dúvida: a partir de quantos assassinatos devemos usar chacina, palavra infelizmente frequente nas reportagens policiais. A resposta não veio dos livros, mas da Delegacia de Investigação de Homicídios Múltiplos, onde o termo é usado, a partir de três homicídios no mesmo local e hora.

Os numerais multiplicativos, pouco usados na linguagem informal, também aparecem para a caracterização dos assassinatos: homicídio duplo, triplo, quádruplo. Quando o número de mortes é grande usa-se matança, massacre, extermínio ou carnificina.

Quanto aos livros, eles trazem que chacina, num primeiro sentido significa carne suína salgada e cortada em postas, provavelmente com origem no latim vulgar. Chacim é um sinônimo antigo de porco.

Chacinar é preparar e salgar a carne. O segundo significado é assassinar mutilando e por extensão, matar três pessoas ou mais de uma só vez. Há quem use de modo figurado, expressando analisar minuciosamente algo, como um texto, da ortografia ao estilo.

Cada palavra provoca em nós um sentimento diferente. No caso de chacina, pavor e repugnância.

De qualquer forma, todo verbete merece nossa atenção e interesse, pela história que carrega e por suas acepções, até mesmo quando definem atos hediondos que gostaríamos de ver riscados definitivamente dos noticiários.

 

Feio – feiinho 05/03/2013

Posted by Maria Elisa Porchat in A Língua Portuguesa Adequada.
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diminutivoUma amiga me perguntou  o diminutivo de feio, de cheio e de saia. Passei a bola para o pessoal do site  da Academia Brasileira de Letras  que prontamente me respondeu:  “grafe feiinho, cheiinho e sainha ou saiote”. A amiga rebateu que não fazia sentido a formação do diminutivo de saia ser diferente da formação de diminutivo de cheia. Aí foi minha vez de cortar a bola: “quem disse que é tudo lógico e que há regras fixas na nossa língua? As palavras seguem o rumo que ao longo do tempo, os usuários da língua lhe impõem.”

Na linguagem formal, palavras que terminam nos ditongos io ou ia, quando flexionadas, sejam no superlativo absoluto sintético, seja no diminutivo, repetem o i na flexão: sério, seriíssimo.

Entretanto, formas diminutivas são correntes na linguagem popular e emotiva, exprimindo carinho, descontração e aí o que prevalece é a tendência dos falantes.

Praia, por exemplo, é prainha, rádio é radinho, saia é sainha. Já pensou em falar – saiinha? Que língua é essa?

Os sufixos mais comuns de diminutivos são inho ou zinho. Você pode falar saiazinha também, ou, no caso, usar o sufixo ote – saiote, aí já com um sentido um pouco diferente.

A língua é mais complexa e flexível do que imaginamos.

O domínio da língua 09/10/2012

Posted by Maria Elisa Porchat in A Língua Portuguesa Adequada.
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Falar o português adequado é uma necessidade, não só para o relacionamento pessoal, mas para o exercício da cidadania. Possibilita que o cidadão exponha adequadamente seu pensamento e que compreenda aquilo que ouve e lê, ampliando sua capacidade de agir dentro da sociedade.

Alguns questionam a utilidade do conhecimento teórico da língua; na escola, alunos arrancam os cabelos com o estudo de análise sintática. Porém, conhecer a estrutura de uma frase ou de um discurso permite ao comunicador estruturar e expressar o seu próprio pensamento.

A preocupação com o português adequado não deve ser uma mordaça que cale por inibição quem fala ou escreve. É o contrário. O estudo mostra o conhecimento das possibilidades de expressão e leva à constatação de que dominar a língua é usá-la com desembaraço, fluência e clareza; é empregar a linguagem certa para cada situação e público. Um deslize no português não causa dano num bate-papo de amigos, mas chega a ser catastrófico numa reunião profissional e mais ainda num relatório escrito.

Língua escrita e língua falada têm seus recursos próprios na elaboração de mensagens.

A falada atende às necessidades práticas do cotidiano, é dinâmica, funcional, repetitiva, natural, espontânea, imediata, sonora, é acompanhada de gestos, entonação, ironia. Tem expressividade e vivacidade. Usa mais o discurso direto e expressões populares.

A linguagem escrita, mesmo a informal, incorpora preocupações estéticas e conta com menos tolerância dos gramáticos quanto à desobediência de regras. A distinção não é rígida. Há quem escreva com observância rigorosa das normas e os que escrevem de forma coloquial. Mas tanto na língua falada como na escrita o indispensável é transmitir a comunicação de forma clara, forte, precisa, conveniente com o contexto e o propósito da mensagem.

O domínio da língua, para um indivíduo, significa desentrave, libertação e não opressão. A língua é um instrumento político.

Para ilustrar o post, minha prima Yara enviou a música Minha Pátria é Minha Língua do Caetano Veloso.

Consogra e tetravô 11/09/2012

Posted by Maria Elisa Porchat in A Língua Portuguesa Adequada, Atualidades.
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Atenção, você que se refere à mãe do seu genro ou da sua nora como “minha cossogra”. Consogra é a palavra correta, embora igualmente feia. Trata-se do prefixo latino co ou com, que significa – em comum ou em conjunto. Em algumas palavras o prefixo é apenas co: Corréu (antes co-réu na velha ortografia) é um réu do mesmo processo que outra pessoa; coerdeiro,( antes co-herdeiro ) é aquele que herda junto com outros; existe coirmão, mas no caso de sogro e sogra o prefixo é con para  designar o pai ou a mãe de um dos cônjuges em relação ao pai ou à mãe do outro.Assim também formou-se a palavra consócio ou mesmo  compadre.

Mas convenhamos, se sogra já não é das palavras mais bonitas, consogra é horrenda. Prefira – mãe do genro ou sogra da minha filha.

Outra impropriedade comum no campo dos parentescos,  é em relação a tataravô, comumente confundido com trisavô. O pai do avô é o bisavô. O pai do bisavô é o trisavô. E o pai do trisavô é o tetravô que tem como forma popular tataravô.

Portanto é impossível alguém ter tataravô vivo. É figura que existe apenas nas fotos e na memória familiar. Com neto a mesma coisa – bisneto, trineto e tetraneto, popularmente tataraneto.

 

 

Autoestima em baixa nas vitrines 04/09/2012

Posted by Maria Elisa Porchat in A Língua Portuguesa Adequada, Atualidades, Diversos.
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Quase choro de desgosto quando vejo uma loja brasileira anunciar liquidação assim: “Save up to 40% off. Winter special sale”. Gente! Onde nós estamos mesmo?

Assim uma bela loja de cama, mesa e banho atrai o público, nos jornais e nas vitrines, em letras imensas. Não se trata de um caso isolado É só passear pelos shoppings da cidade e constatar que para fazer bonito o lojista prefere usar o inglês nas suas propagandas. No recém-inaugurado Shopping JK, um estabelecimento prestes a abrir suas portas escreveu numa parede provisória: “Opening soon”.

Quando é que o comércio chique no Brasil vai usar a língua portuguesa no lugar do inglês sem medo de rebaixar o status dos seus produtos? É claro que o problema não está na nossa bela  língua. Nem o português fica ameaçado com essa mania boba de se apelar para a língua inglesa para dar um ar de primeiro mundo ao comércio, ou talvez para fazer o consumidor fantasiar que está em Orlando ou em Nova Iorque. O que me dá desgosto é que se trata de mais um sintoma de pouca autoestima do brasileiro.

Adiantaria começar uma campanha para acabar com essa macaquice de língua estrangeira? Não. A mudança de atitude não seria espontânea e acabaria sendo um item a mais na lista das atitudes politicamente incorretas, lista tão ridicularizada por ser desprovida de bom-senso. Pior: poderia acabar num projeto de lei radical no sentido de multar ou incriminar o comerciante que anunciasse a liquidação em inglês.

Campanha nesse sentido também estaria fadada ao fracasso porque os próprios publicitários simpatizam bastante com o uso de palavras estrangeiras desnecessárias na comunicação de propaganda.

O problema é mais profundo. Talvez psicólogos, sociólogos e antropólogos consigam explicar de onde vem o complexo de inferioridade manifestado pelo brasileiro de várias formas, inclusive no comércio de luxo.

Triste é saber que a mudança na linguagem das vitrines é demorada e incerta. Vai depender do progresso do Brasil em vários setores, sendo o da educação o principal deles. Quero crer que quando começarem a surgir índices positivos desse desenvolvimento, não só na economia, mas na saúde, nas instituições de ensino e na diminuição da criminalidade, o Brasil vai fazer bonito não só lá fora, como aqui, no conceito do cidadão brasileiro. Quando isso acontecer, certamente o comerciante de uma loja de luxo não precisará macaquear o lojista americano e anunciará sem acanhamento: “Breve inauguração” ou “Descontos de até 40 por cento”.

Casou ou se casou ? 29/10/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in A Língua Portuguesa Adequada.
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Existem verbos que são sempre pronominais – só se conjugam com o pronome. São poucos: dignar-se, arrepender-se, queixar-se, atrever-se, suicidar-se, apiedar-se e condoer-se.

 

Há os que são quase sempre pronominais, mas em alguns sentidos são usados sem o pronome, como orgulhar-se e apaixonar-se.

Orgulhar-se no sentido de fazer sentir orgulho: ”a vitória orgulhou toda a nação”.

Apaixonar-se, no sentido de inspirar paixão: “o futebol apaixona o Brasil”.

Outros existem que admitem as duas construções – com ou sem o pronome: casar é um deles – ele casou ou ele se casou. Ele esqueceu o livro ou ele se esqueceu do livro, lembrar-se, mas atenção – é errado dizer – esqueceu do livro, lembrou do compromisso. Usados com o pronome, exigem a preposição de.

Muitos usam os verbos confraternizar, simpatizar, antipatizar e sobressair de forma pronominal, mas não são. O adequado é dizer:

“Na paisagem, sobressaíam as quaresmeiras.”

“Os torcedores confraternizaram com os atletas.”

“Ele não simpatiza com esta idéia.”

Finalmente  é preciso atenção  ao usar o pronome na conjugação de um verbo pronominal – eu me queixo, ele se apaixonou, nós nos arrependemos.

 

O conceito de certo e errado na língua falada 26/08/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in A Língua Portuguesa Adequada.
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Mestres da língua evitam os adjetivos “certo” e  “errado” com referência ao português coloquial, preferindo substituí-los por “inadequado” ou “impróprio”. O erro agora é impropriedade, ressalvando-se os deslizes de ortografia, área em que as regras do português são mais rígidas, quase sempre inquestionáveis.

A língua coloquial adequada é aquela que atende às necessidades da situação do momento. Simplificando, há um discurso próprio para uma conversa entre amigos num bar e outro para uma entrevista de emprego, merecendo um e outro alguma ou nenhuma tolerância em relação aos deslizes gramaticais.

Entretanto, mesmo no que tange à linguagem informal, não se admite por parte de certos segmentos profissionais , desobediência  em relação às regras gramaticais e sintáticas, pela responsabilidade que têm como divulgadores do português não apenas adequado mas correto. Falo dos jornalistas, dos publicitários, dos educadores e de qualquer figura pública que fala para um grande público. Quem escolheu um desses ofícios não pode cometer pecados gramaticais. 

Muitas vezes, um profissional para não prejudicar e estilo informal na observância do português correto, precisa buscar um modo de se expressar que não seja o da afetação, nem o da inadequação, uma terceira via que alie o estilo descontraído com o correto, para servir de exemplo de respeito à língua a ser seguido e admirado pelo público que atinge.

mesmo? mesma? 27/05/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in A Língua Portuguesa Adequada.
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Alguém me perguntou se o correto é dizer: “a Fernanda mesmo admitiu o fato”, ou “a Fernanda mesma?”

Trata-se de um adjetivo, equivalente a próprio, própria, que está aí para realçar a identidade – ela própria, a Fernanda em pessoa- portanto, a Fernanda mesma…

Há outros significados semelhantes, do adjetivo mesmo, como equivalência de origem, identidade, forma – a mesma vítima.

Mas se você falasse: “mesmo a Fernanda admitiu o fato”, a palavra mesmo seria um advérbio, invariável, com sentido de até, também, inclusive.

“Mesmo as pessoas mais íntimas, estranharam sua atitude.”

É advérbio invariável no sentido de justamente, realmente – “a casa está mesmo sendo vendida.”

Mas a palavra mesmo invariável, não traz problema nenhum, em suas diferentes funções:

“Mesmo que você saia…” (conjunção concessiva – ainda que)

“Fique aqui mesmo.” (palavra de reforço do lugar)

As pessoas tropeçam até quando existe um substantivo ou pronome feminino, que obriga o adjetivo mesmo a concordar com a palavra em questão: “Daniela e Mariana mesmas prepararam a refeição.”

O destaque da língua falada no esporte 18/05/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in A Língua Portuguesa Adequada, Linguagem do Esporte, Radiojornalismo.
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A transmissão esportiva é um exemplo de pujança do português falado.  Há quem ligue o rádio, sem torcer para time nenhum, para ouvir a narração de um jogo, apenas pelo som da linguagem vibrante , criativa,  livre e solta.

Não é à toa que o brasileiro incorpora no seu linguajar expressões da crônica esportiva e apela para as metáforas futebolísticas em todo tipo de discurso e em qualquer situação: “com aquela resposta, ele empatou o jogo”, “conseguiu o dinheiro no último minuto do segundo tempo”, “eu e a torcida do Corinthians”, e muitas outras. 

No noticiário político, o vocabulário do futebol é usado no sentido figurado: “no jogo da política nacional a imagem que se tem é da retranca”. Sem falar nas falas do presidente Lula, repletas de figuras de linguagem do futebol, preferência que tem sido tema de artigos e livro.

Locutores criam bordões, diferenciam-se pela linguagem com o objetivo de transformar a narração num grande espetáculo.

Expressões constantes nos bate-papos, como – “aguenta, coração”, “animal”, “é fogo no boné do guarda”, “bola pra frente” “se liga”, “por que parou, parou por quê?” surgiram da criatividade e do carisma de profissionais do esporte.

Gramáticos se utilizam do contexto esportivo na escolha dos exemplos que ilustram os fatos da língua.

Tudo isso mostra a importância da comunicação no esporte pela sua penetração junto às massas, o que aumenta a responsabilidade do profissional na difusão de um português correto, para a identidade cultural do brasileiro.

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