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A superação do rádio 25/09/2012

Posted by Maria Elisa Porchat in Atualidades, Radiojornalismo.
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Um internauta me procurou para um trabalho de faculdade de jornalismo, que tinha como tema, o futuro do rádio. Ainda tem quem duvide da sobrevivência desse veículo, depois de tantas provas de adaptação e superação.  Nos anos 50, o rádio ficou realmente abalado com a chegada da poderosa televisão, que roubou a atenção das massas. Mas não levou muito tempo para o rádio correr atrás de fórmulas que explorassem as vantagens que tem como comunicador. Tanto no entretenimento quanto no jornalismo, firmou-se como o maior aliado do cidadão.

De uns anos para cá, temeu-se novamente sobre o destino do rádio, diante da internet e das constantes novidades da informática. E o rádio surpreendeu mais uma vez. Hoje ele tira proveito de todas as inovações, pra se modificar, se modernizar, para melhorar seu som, seu alcance e aumentar ainda mais seu poder de transmissão.  

Vamos considerar as mudanças no radiojornalismo. A tecnologia trouxe mais agilidade ao veículo que já era o mais rápido tanto na busca quanto na transmissão das notícias. A internet leva a programação radiofônica ao vivo para todos os cantos do mundo. As redes sociais aproximam ainda mais o ouvinte, que passou a participar de várias formas da programação. Quanto ao celular, é ferramenta importante na interação com o ouvinte e na rapidez com que o repórter traz a informação da rua. A edição de reportagens hoje é feita pelo próprio repórter de forma imediata, com o auxílio de programas especiais de computadores.  A tecnologia de transmissão acabou com o limite de alcance dos sinais sonoros.

O avanço tecnológico, portanto, não representa ameaça, mas riqueza de recursos que aperfeiçoam a comunicação radiofônica e ajudam o rádio a prestar serviços ao ouvinte. Nenhum veículo bate seu poder de resgate da cidadania.

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Consogra e tetravô 11/09/2012

Posted by Maria Elisa Porchat in A Língua Portuguesa Adequada, Atualidades.
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Atenção, você que se refere à mãe do seu genro ou da sua nora como “minha cossogra”. Consogra é a palavra correta, embora igualmente feia. Trata-se do prefixo latino co ou com, que significa – em comum ou em conjunto. Em algumas palavras o prefixo é apenas co: Corréu (antes co-réu na velha ortografia) é um réu do mesmo processo que outra pessoa; coerdeiro,( antes co-herdeiro ) é aquele que herda junto com outros; existe coirmão, mas no caso de sogro e sogra o prefixo é con para  designar o pai ou a mãe de um dos cônjuges em relação ao pai ou à mãe do outro.Assim também formou-se a palavra consócio ou mesmo  compadre.

Mas convenhamos, se sogra já não é das palavras mais bonitas, consogra é horrenda. Prefira – mãe do genro ou sogra da minha filha.

Outra impropriedade comum no campo dos parentescos,  é em relação a tataravô, comumente confundido com trisavô. O pai do avô é o bisavô. O pai do bisavô é o trisavô. E o pai do trisavô é o tetravô que tem como forma popular tataravô.

Portanto é impossível alguém ter tataravô vivo. É figura que existe apenas nas fotos e na memória familiar. Com neto a mesma coisa – bisneto, trineto e tetraneto, popularmente tataraneto.

 

 

Autoestima em baixa nas vitrines 04/09/2012

Posted by Maria Elisa Porchat in A Língua Portuguesa Adequada, Atualidades, Diversos.
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Quase choro de desgosto quando vejo uma loja brasileira anunciar liquidação assim: “Save up to 40% off. Winter special sale”. Gente! Onde nós estamos mesmo?

Assim uma bela loja de cama, mesa e banho atrai o público, nos jornais e nas vitrines, em letras imensas. Não se trata de um caso isolado É só passear pelos shoppings da cidade e constatar que para fazer bonito o lojista prefere usar o inglês nas suas propagandas. No recém-inaugurado Shopping JK, um estabelecimento prestes a abrir suas portas escreveu numa parede provisória: “Opening soon”.

Quando é que o comércio chique no Brasil vai usar a língua portuguesa no lugar do inglês sem medo de rebaixar o status dos seus produtos? É claro que o problema não está na nossa bela  língua. Nem o português fica ameaçado com essa mania boba de se apelar para a língua inglesa para dar um ar de primeiro mundo ao comércio, ou talvez para fazer o consumidor fantasiar que está em Orlando ou em Nova Iorque. O que me dá desgosto é que se trata de mais um sintoma de pouca autoestima do brasileiro.

Adiantaria começar uma campanha para acabar com essa macaquice de língua estrangeira? Não. A mudança de atitude não seria espontânea e acabaria sendo um item a mais na lista das atitudes politicamente incorretas, lista tão ridicularizada por ser desprovida de bom-senso. Pior: poderia acabar num projeto de lei radical no sentido de multar ou incriminar o comerciante que anunciasse a liquidação em inglês.

Campanha nesse sentido também estaria fadada ao fracasso porque os próprios publicitários simpatizam bastante com o uso de palavras estrangeiras desnecessárias na comunicação de propaganda.

O problema é mais profundo. Talvez psicólogos, sociólogos e antropólogos consigam explicar de onde vem o complexo de inferioridade manifestado pelo brasileiro de várias formas, inclusive no comércio de luxo.

Triste é saber que a mudança na linguagem das vitrines é demorada e incerta. Vai depender do progresso do Brasil em vários setores, sendo o da educação o principal deles. Quero crer que quando começarem a surgir índices positivos desse desenvolvimento, não só na economia, mas na saúde, nas instituições de ensino e na diminuição da criminalidade, o Brasil vai fazer bonito não só lá fora, como aqui, no conceito do cidadão brasileiro. Quando isso acontecer, certamente o comerciante de uma loja de luxo não precisará macaquear o lojista americano e anunciará sem acanhamento: “Breve inauguração” ou “Descontos de até 40 por cento”.

Sugestão de leitura 21/08/2012

Posted by Maria Elisa Porchat in Atualidades, Literatura.
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Li bons livros no semestre que passou. Gosto daqueles que me trazem prazer e conhecimento do mundo, da história e do homem. O Tempo entre Costuras, best-seller espanhol, primeiro romance de Maria Dueñas fez isso, contando sobre os bastidores da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Guerra Mundial.

 A Lebre com Olhos de Âmbar, autobiografia do ceramista inglês Edmund de Waal, me ensinou sobre arte em geral. Apresenta também a cultura japonesa e a perseguição aos judeus na Rússia e na Europa, no início do século passado, que culminou com os horrores da Segunda Guerra Mundial. 

A Elegância do Ouriço, da francesa Muriel Barbery, achei espetacular. Demorou um pouco para me prender. Precisei recomeçar, é um livro que   exige  ser saboreado bem devagar,que alguns trechos sejam relidos, para entender a filosofia que sai da boca de  uma  concierge  parisiense, de um  cineasta oriental e de uma adolescente superdotada, num edifício chique  francês. Em comum nos três personagens, muita cultura e sensibilidade.

Uma delícia foi ler o romance policial – O Rio e o Mar, de Miguel Reali Jr, cuja trama se passa em Itanhaém, cidade do litoral de São Paulo, onde eu passei grande parte da minha vida. É lá que acontecem os crimes que um delegado em início de carreira tem que desvendar. Revi  nas páginas o  Hotel Polastrini, a Praia do Sonho, a Prainha, e o encontro do rio e o mar.

Saindo da ficção, vale a pena ler A Soma e o Resto de Fernando Henrique Cardoso. Comprei o livro buscando uma autobiografia do ex-presidente e encontrei muito mais – o mundo, a América do Sul e o Brasil na visão de FHC, ao completar 80 anos. 

 

 

Sugestão de leitura – Lendo Lolita em Teerã 02/06/2011

Posted by Maria Elisa Porchat in Atualidades, Literatura.
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Trouxe da Festa Literária de Paraty no ano passado o best-seller premiado Lendo Lolita em Teerã, da iraniana Azar Nafisi cuja palestra no evento havia apreciado.

Nafisi foi expulsa da Universidade de Teerã, onde lecionava literatura, por se recusar a usar véu. Passou então a dar aula de literatura para sete jovens, em sua casa, pra discutir obras ocidentais proibidas no Irã. A partir da análise dos romances, essas jovens expunham seus sofrimentos e desapontamentos com a sociedade islâmica radical e cruel com as mulheres. O tema já bastaria para satisfazer o interesse do leitor e principalmente da leitora. Mas a autora vai além, ao demonstrar a influência de uma obra literária na mente humana. Apresenta a forma como a ficção pode enriquecer um ser sensível, no confronto com o mundo real, cheio de imperfeições. Um romance chega a trazer à tona sentimentos surpreendentes, no caminho do autoconhecimento.

Lendo Lolita em Teerã desperta o interesse pelos clássicos da literatura mundial e nos leva a querer reunir amigos em torno de um bom romance como ponto de partida para uma discussão consistente.

Novembro em Nova Iorque 09/12/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in Atualidades.
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Fiquei 10 dias de novembro em Nova Iorque, hospedada numa casa de americanos, no Soho.  Os prédios de residência no Soho são adaptações de pequenas fábricas ou de galpões usados por artistas. No caso desse condomínio, uma antiga tecelagem reformada de forma charmosa e rústica, com um grande elevador que já leva direto à sala do apartamento. Sem falar na simpatia da família que me hospedou, foi muito bom viver a tradicional semana de Thanksgiving entre eles, quando um país inteiro come peru  de um jeito só, com os mesmos acompanhamentos,  para não romper a tradição  dos antepassados , de agradecer aos céus pela boa colheita  após tempos difíceis. A partir da meia-noite, depois da ceia de Ação de Graça, as lojas começam uma grande liquidação pré-natalina, a chamada Black Friday, que atrai uma multidão às liquidações do estoque. O melhor da temporada foi ver a apresentação de Il Trovatore de Giuseppe Verdi no  Lincoln Center.  O destaque fica pela alta tecnologia da troca de cenários e do  letreiro na frente de cada assento, com opção de várias línguas. Assistir a um belo espetáculo com todo conforto e praticidade foi um privilégio, assim como toda a viagem.

 

Sugestão de Leitura: Manual da Paixão Solitária 29/10/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in Atualidades, Literatura.
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O premiado escritor Moacyr Scliar fez crescer meu interesse em textos bíblicos com o seu Manual da Paixão Solitária, que tem como base o capítulo 38 do Gênesis.

Havia entre os hebreus a tradição do levirato, segundo o qual o irmão de um homem morto  que não deixasse filhos, deveria  engravidar a viúva, para dar continuidade à família . O livro mostra a luta da sensual e determinada viúva Tamar para garantir sua condição de nora do patriarca Judá  e o respeito da comunidade.

Scliar usa como expediente para sua narrativa duas palestras de um Congresso de Estudos Bíblicos, onde um pesquisador narra  a história como se fosse  Shelá, o cunhado mais jovem de Tamar,  que é quem registra em pergaminhos a forma que encontrou de viver  sua paixão longe do ser amado; outra versão da história é dada por uma  professora  impetuosa e revolucionária que fala como se fosse  a corajosa Tamar.

O Manual da Paixão Solitária nos remete à outra passagem bíblica  de paixão e astúcia  conhecida por ser tema de um soneto de Camões, sobre o amor de Jacó a Raquel,”serrana bela”, filha de Labão,

Judá, o patriarca retratado por Moacyr Scliar é filho de Lia, a outra esposa mal amada de Jacó.

Sugestão de leitura: Clarice, 09/09/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in Atualidades, Literatura.
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Recomendo a leitura de Clarice, (vírgula), biografia de Clarice Lispector. A vírgula está no  título, mesmo,  simbolizando  que o estudo sobre ela não tem um ponto final, sempre haverá mais a se conhecer sobre ela.

O autor, Benjamin Moser, que tive o prazer de ouvir na Flip, é um jovem escritor norte-americano, pesquisador da literatura brasileira. Moser tomou para si a incumbência de divulgar Clarice Lispector no exterior.

Tocou-me a vida sofrida desta escritora judia, que fugiu com pais e irmãs da Ucrânia em guerra, passando por tormentos que tiveram reflexo na sua literatura.

O livro é rico em história do Brasil do século XX.

Os extratos de suas obras inseridos na biografia facilitam a compreensão dos  textos enigmáticos de Clarice Lispector. Clarice, (vírgula) ajuda o leitor a desvendar numa certa medida o denso mistério que caracteriza a personalidade e a obra de Clarice Lispector.  É um livro para ler e com ele conviver.

A Festa Literária de Paraty e eu 12/08/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in Atualidades, Literatura.
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Fui pela terceira vez à Festa Literária de Paraty e a cada ano gosto  mais dela. É aprendizado com  diversão,  a cabeça  mistura  literatura, história, arte e sociologia, relaxa com  caipirinha, passeio na praia  e  andanças  no centro histórico, as ruas cheias de arte popular . Sem falar na quantidade de pessoas conhecidas e da pilha de livros que você adquire para  deleite de um ano inteiro.

Ano a ano me hospedo mais perto das tendas. Na minha primeira Flip, fiquei num barco ancorado numa marina a quatro quilômetros da vila. Agora fico em pousada, fazendo a reserva com bastante antecedência. O único estresse do programa é a compra de ingressos para as mesas.  Tem acontecido de chegar cedinho no balcão de vendas, com o cartão de crédito na mão e ouvir da vendedora “estamos sem sistema” e quando o tal sistema volta, já não existem ingressos para as mesas mais procuradas.  É bem verdade que durante a Flip a pessoa acaba conseguindo assistir a todos os eventos, seja comprando o ingresso de alguém ou atrás do telão na rua, comendo uma tapioca ou um bolo de aipim.

De qualquer forma, a preparação para a Flip é prazerosa. Desde quando tomamos conhecimento por e-mails ou pelo jornal dos autores participantes e do homenageado e a partir daí lemos ou relemos  livros e textos  de assuntos sobre as palestras.Um programão.

Gilberto Freire na Flip 2010 12/08/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in Atualidades, Literatura.
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Como era previsto, prevaleceram os elogios ao sociólogo Gilberto Freire, homenageado na Festa Literária de Paraty deste ano. Nas diversas mesas que discutiram sua obra, ficou patente sua contribuição para a cultura brasileira, apesar da polêmica na sua literatura.  Diferentemente dos grandes mestres da USP como Florestan Fernandes e Roger Bastide que defenderam a objetividade e o rigor científicos nas pesquisas sociológicas, Gilberto Freire retratou a sociedade patriarcal em Casa Grande e Senzala de forma mais descompromissada, intuitiva, sem conclusões, em que pesem os pormenores e a riqueza de informações de suas obras. Termos usados por ele como mulato e judeu, inexistem nos textos científicos.

Gilberto Freire valorizou a mestiçagem, as contradições, os paradoxos e a complexidades das relações entre o senhor de engenho e o escravo. Apresenta em Casa Grande e Senzala uma democracia racial, no que é contestado, com o equilíbrio dos contrários.

Conservador na defesa do patriarcado e revolucionário na forma de escrever, e por denunciar os prejuízos da monocultura da cana de açúcar por prejudicar o meio ambiente, as discussões sobre Gilberto Freire despertaram curiosidade nos milhares de leitores participantes da Flip de 2010.

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