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Sugestão de leitura – Lendo Lolita em Teerã 02/06/2011

Posted by Maria Elisa Porchat in Atualidades, Literatura.
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Trouxe da Festa Literária de Paraty no ano passado o best-seller premiado Lendo Lolita em Teerã, da iraniana Azar Nafisi cuja palestra no evento havia apreciado.

Nafisi foi expulsa da Universidade de Teerã, onde lecionava literatura, por se recusar a usar véu. Passou então a dar aula de literatura para sete jovens, em sua casa, pra discutir obras ocidentais proibidas no Irã. A partir da análise dos romances, essas jovens expunham seus sofrimentos e desapontamentos com a sociedade islâmica radical e cruel com as mulheres. O tema já bastaria para satisfazer o interesse do leitor e principalmente da leitora. Mas a autora vai além, ao demonstrar a influência de uma obra literária na mente humana. Apresenta a forma como a ficção pode enriquecer um ser sensível, no confronto com o mundo real, cheio de imperfeições. Um romance chega a trazer à tona sentimentos surpreendentes, no caminho do autoconhecimento.

Lendo Lolita em Teerã desperta o interesse pelos clássicos da literatura mundial e nos leva a querer reunir amigos em torno de um bom romance como ponto de partida para uma discussão consistente.

Retorno ao blog 02/06/2011

Posted by Maria Elisa Porchat in Uncategorized.
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Volto a escrever, depois de meses de um silêncio injustificável.  A verdade é que não adquiri o hábito de ocupar este espaço rotineiramente, como preenchemos nosso caderninho de anotações. A diferença é que no caso de um blog existe a preocupação de transmitir uma mensagem útil e interessante. E é aí que surge uma exagerada autocrítica que dificulta o propósito de escrever com mais freqüência. Também a falta de planejamento no trabalho e de experiência prejudica a assiduidade de um blog. E assim, acaba ficando em branco uma passagem de vida interessante, um concerto, uma viagem, um encontro, um livro apreciado, uma observação sobre uma notícia, sobre um fato da língua, algo que mereça ser compartilhado.   Imagino que a razão de ser de um blog seja justamente a prática do salutar exercício de escrever, com base no que se vive e aprende. De forma livre e prazerosa. Com uma dose limitada e não exagerada de autocrítica.  Vou me dar uma nova chance de ser blogueira, renovando a disposição de passar adiante minhas experiências.

Novembro em Nova Iorque 09/12/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in Atualidades.
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Fiquei 10 dias de novembro em Nova Iorque, hospedada numa casa de americanos, no Soho.  Os prédios de residência no Soho são adaptações de pequenas fábricas ou de galpões usados por artistas. No caso desse condomínio, uma antiga tecelagem reformada de forma charmosa e rústica, com um grande elevador que já leva direto à sala do apartamento. Sem falar na simpatia da família que me hospedou, foi muito bom viver a tradicional semana de Thanksgiving entre eles, quando um país inteiro come peru  de um jeito só, com os mesmos acompanhamentos,  para não romper a tradição  dos antepassados , de agradecer aos céus pela boa colheita  após tempos difíceis. A partir da meia-noite, depois da ceia de Ação de Graça, as lojas começam uma grande liquidação pré-natalina, a chamada Black Friday, que atrai uma multidão às liquidações do estoque. O melhor da temporada foi ver a apresentação de Il Trovatore de Giuseppe Verdi no  Lincoln Center.  O destaque fica pela alta tecnologia da troca de cenários e do  letreiro na frente de cada assento, com opção de várias línguas. Assistir a um belo espetáculo com todo conforto e praticidade foi um privilégio, assim como toda a viagem.

 

Sugestão de Leitura: Manual da Paixão Solitária 29/10/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in Atualidades, Literatura.
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O premiado escritor Moacyr Scliar fez crescer meu interesse em textos bíblicos com o seu Manual da Paixão Solitária, que tem como base o capítulo 38 do Gênesis.

Havia entre os hebreus a tradição do levirato, segundo o qual o irmão de um homem morto  que não deixasse filhos, deveria  engravidar a viúva, para dar continuidade à família . O livro mostra a luta da sensual e determinada viúva Tamar para garantir sua condição de nora do patriarca Judá  e o respeito da comunidade.

Scliar usa como expediente para sua narrativa duas palestras de um Congresso de Estudos Bíblicos, onde um pesquisador narra  a história como se fosse  Shelá, o cunhado mais jovem de Tamar,  que é quem registra em pergaminhos a forma que encontrou de viver  sua paixão longe do ser amado; outra versão da história é dada por uma  professora  impetuosa e revolucionária que fala como se fosse  a corajosa Tamar.

O Manual da Paixão Solitária nos remete à outra passagem bíblica  de paixão e astúcia  conhecida por ser tema de um soneto de Camões, sobre o amor de Jacó a Raquel,”serrana bela”, filha de Labão,

Judá, o patriarca retratado por Moacyr Scliar é filho de Lia, a outra esposa mal amada de Jacó.

Casou ou se casou ? 29/10/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in A Língua Portuguesa Adequada.
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Existem verbos que são sempre pronominais – só se conjugam com o pronome. São poucos: dignar-se, arrepender-se, queixar-se, atrever-se, suicidar-se, apiedar-se e condoer-se.

 

Há os que são quase sempre pronominais, mas em alguns sentidos são usados sem o pronome, como orgulhar-se e apaixonar-se.

Orgulhar-se no sentido de fazer sentir orgulho: ”a vitória orgulhou toda a nação”.

Apaixonar-se, no sentido de inspirar paixão: “o futebol apaixona o Brasil”.

Outros existem que admitem as duas construções – com ou sem o pronome: casar é um deles – ele casou ou ele se casou. Ele esqueceu o livro ou ele se esqueceu do livro, lembrar-se, mas atenção – é errado dizer – esqueceu do livro, lembrou do compromisso. Usados com o pronome, exigem a preposição de.

Muitos usam os verbos confraternizar, simpatizar, antipatizar e sobressair de forma pronominal, mas não são. O adequado é dizer:

“Na paisagem, sobressaíam as quaresmeiras.”

“Os torcedores confraternizaram com os atletas.”

“Ele não simpatiza com esta idéia.”

Finalmente  é preciso atenção  ao usar o pronome na conjugação de um verbo pronominal – eu me queixo, ele se apaixonou, nós nos arrependemos.

 

Sugestão de leitura: Clarice, 09/09/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in Atualidades, Literatura.
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Recomendo a leitura de Clarice, (vírgula), biografia de Clarice Lispector. A vírgula está no  título, mesmo,  simbolizando  que o estudo sobre ela não tem um ponto final, sempre haverá mais a se conhecer sobre ela.

O autor, Benjamin Moser, que tive o prazer de ouvir na Flip, é um jovem escritor norte-americano, pesquisador da literatura brasileira. Moser tomou para si a incumbência de divulgar Clarice Lispector no exterior.

Tocou-me a vida sofrida desta escritora judia, que fugiu com pais e irmãs da Ucrânia em guerra, passando por tormentos que tiveram reflexo na sua literatura.

O livro é rico em história do Brasil do século XX.

Os extratos de suas obras inseridos na biografia facilitam a compreensão dos  textos enigmáticos de Clarice Lispector. Clarice, (vírgula) ajuda o leitor a desvendar numa certa medida o denso mistério que caracteriza a personalidade e a obra de Clarice Lispector.  É um livro para ler e com ele conviver.

O conceito de certo e errado na língua falada 26/08/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in A Língua Portuguesa Adequada.
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Mestres da língua evitam os adjetivos “certo” e  “errado” com referência ao português coloquial, preferindo substituí-los por “inadequado” ou “impróprio”. O erro agora é impropriedade, ressalvando-se os deslizes de ortografia, área em que as regras do português são mais rígidas, quase sempre inquestionáveis.

A língua coloquial adequada é aquela que atende às necessidades da situação do momento. Simplificando, há um discurso próprio para uma conversa entre amigos num bar e outro para uma entrevista de emprego, merecendo um e outro alguma ou nenhuma tolerância em relação aos deslizes gramaticais.

Entretanto, mesmo no que tange à linguagem informal, não se admite por parte de certos segmentos profissionais , desobediência  em relação às regras gramaticais e sintáticas, pela responsabilidade que têm como divulgadores do português não apenas adequado mas correto. Falo dos jornalistas, dos publicitários, dos educadores e de qualquer figura pública que fala para um grande público. Quem escolheu um desses ofícios não pode cometer pecados gramaticais. 

Muitas vezes, um profissional para não prejudicar e estilo informal na observância do português correto, precisa buscar um modo de se expressar que não seja o da afetação, nem o da inadequação, uma terceira via que alie o estilo descontraído com o correto, para servir de exemplo de respeito à língua a ser seguido e admirado pelo público que atinge.

A Festa Literária de Paraty e eu 12/08/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in Atualidades, Literatura.
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Fui pela terceira vez à Festa Literária de Paraty e a cada ano gosto  mais dela. É aprendizado com  diversão,  a cabeça  mistura  literatura, história, arte e sociologia, relaxa com  caipirinha, passeio na praia  e  andanças  no centro histórico, as ruas cheias de arte popular . Sem falar na quantidade de pessoas conhecidas e da pilha de livros que você adquire para  deleite de um ano inteiro.

Ano a ano me hospedo mais perto das tendas. Na minha primeira Flip, fiquei num barco ancorado numa marina a quatro quilômetros da vila. Agora fico em pousada, fazendo a reserva com bastante antecedência. O único estresse do programa é a compra de ingressos para as mesas.  Tem acontecido de chegar cedinho no balcão de vendas, com o cartão de crédito na mão e ouvir da vendedora “estamos sem sistema” e quando o tal sistema volta, já não existem ingressos para as mesas mais procuradas.  É bem verdade que durante a Flip a pessoa acaba conseguindo assistir a todos os eventos, seja comprando o ingresso de alguém ou atrás do telão na rua, comendo uma tapioca ou um bolo de aipim.

De qualquer forma, a preparação para a Flip é prazerosa. Desde quando tomamos conhecimento por e-mails ou pelo jornal dos autores participantes e do homenageado e a partir daí lemos ou relemos  livros e textos  de assuntos sobre as palestras.Um programão.

Gilberto Freire na Flip 2010 12/08/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in Atualidades, Literatura.
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Como era previsto, prevaleceram os elogios ao sociólogo Gilberto Freire, homenageado na Festa Literária de Paraty deste ano. Nas diversas mesas que discutiram sua obra, ficou patente sua contribuição para a cultura brasileira, apesar da polêmica na sua literatura.  Diferentemente dos grandes mestres da USP como Florestan Fernandes e Roger Bastide que defenderam a objetividade e o rigor científicos nas pesquisas sociológicas, Gilberto Freire retratou a sociedade patriarcal em Casa Grande e Senzala de forma mais descompromissada, intuitiva, sem conclusões, em que pesem os pormenores e a riqueza de informações de suas obras. Termos usados por ele como mulato e judeu, inexistem nos textos científicos.

Gilberto Freire valorizou a mestiçagem, as contradições, os paradoxos e a complexidades das relações entre o senhor de engenho e o escravo. Apresenta em Casa Grande e Senzala uma democracia racial, no que é contestado, com o equilíbrio dos contrários.

Conservador na defesa do patriarcado e revolucionário na forma de escrever, e por denunciar os prejuízos da monocultura da cana de açúcar por prejudicar o meio ambiente, as discussões sobre Gilberto Freire despertaram curiosidade nos milhares de leitores participantes da Flip de 2010.

Frases marcantes da Flip 2010 12/08/2010

Posted by Maria Elisa Porchat in Atualidades, Literatura.
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“Não existe explicação sobre como a poesia vem. Há um mistério inexplicável, ela nasce do espanto e qualquer coisa pode espantar o poeta”.

 “Literatura é a forma. A temática é um subproduto dela, é o autor e seus medos”.

“A maternidade é frustração e deleite”.

“O livro digital não substituirá o impresso. Os dois se somarão. Nada se compara à imersão no livro impresso”.

“As livrarias vão vender menos com o livro digital, mas podem oferecer serviços, como conselhos sobre obras e leitura”.

“Deus não tem a ver com a criação, é compromisso com um amor transformador, um poder transformador”.

“O Ocidente não está isento de barbáries. É errado generalizar que todo fundamentalista é terrorista”.

“Ter fé é importante para a identidade do ser humano”.

Estas foram frases que levaram leitores da Flip à reflexão, anotadas  durante as mesas de debate de Patrícia Melo e Lionel Shriver, Robert Darnton e John Makinson, Terry Eagleton , e na de Ferreira Goulart.

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